SSDs NVMe Gen5 vs Gen6: A diferença de velocidade na prática

Quando as primeiras unidades PCIe 5.0 chegaram ao mercado, o salto de 7.000 MB/s para 12.000 MB/s parecia o ápice do armazenamento doméstico.

Agora, em 2026, com a consolidação do padrão PCIe 6.0, as fabricantes prometem taxas que superam os 28.000 MB/s.

No entanto, a pergunta fundamental que move os leitores do ZDZ Tech continua a mesma: SSDs NVMe Gen5 vs Gen6: A diferença de velocidade é perceptível na prática? 

Ao realizar testes exaustivos em nosso laboratório, percebo que a resposta depende menos dos números brutos de leitura sequencial e muito mais da forma como o seu sistema operacional e seus aplicativos lidam com a latência de acesso e o novo protocolo de sinalização.

2. A mudança técnica para o padrão Gen6

A transição para a sexta geração do barramento PCI Express não é apenas uma duplicação de largura de banda. O que notei de mais relevante ao abrir os novos modelos de 2026 é a implementação da sinalização PAM4 (Pulse Amplitude Modulation 4-level), a mesma tecnologia que revolucionou as memórias DDR6.

Diferente do padrão NRZ usado no Gen5, o PAM4 permite que o SSD envie o dobro de dados no mesmo intervalo de tempo.

Para o entusiasta, isso se traduz em um barramento que não satura mesmo em cargas de trabalho simultâneas.

Em meus testes de estresse, enquanto um SSD Gen5 começa a apresentar oscilações de performance ao copiar arquivos e renderizar um vídeo ao mesmo tempo, o modelo Gen6 mantém uma linha de entrega constante, quase sem variações.

3. Latência e IOPS no uso cotidiano

O maior erro ao analisar o armazenamento é focar apenas nos MB/s. No uso real — abrir o Windows, carregar um software de edição ou iniciar um jogo — o que manda são as operações por segundo (IOPS) e a latência.

Ao comparar um SSD Gen5 de elite com os novos Gen6, a melhora na latência de acesso foi de aproximadamente 15%.

Na prática, isso significa que a abertura de programas pesados como o Adobe Premiere ou o DaVinci Resolve ganha uma fração de segundo.

Se você cronometrar, a diferença existe, mas quando uso o computador sem o auxílio de um cronômetro, a percepção de “agilidade” entre as duas gerações é sutil para o usuário comum.

4. O papel do DirectStorage em 2026

Um ponto em que a sexta geração realmente brilha é no uso de APIs modernas como o DirectStorage 2.1. Quando analiso o carregamento de texturas em jogos de última geração, a largura de banda massiva do Gen6 permite que a GPU busque dados diretamente no SSD sem passar pela CPU com uma eficiência sem precedentes.

  • Gen5: Carregamento de um cenário complexo em 1.8 segundos.
  • Gen6: O mesmo cenário carrega em 0.9 segundos.
  • Resultado: Aqui a diferença começa a aparecer. Para quem busca uma experiência de “zero loading”, o Gen6 oferece o fôlego necessário que o Gen5, por vezes, começa a perder em títulos mal otimizados.

5. Gerenciamento térmico e estrangulamento

Um problema crítico que encontrei ao testar as unidades Gen6 é o calor. Se as unidades Gen5 já exigiam dissipadores robustos, os modelos de sexta geração são verdadeiras “fornalhas” de silício.

Com controladoras operando em frequências altíssimas para gerenciar o protocolo PAM4, a temperatura sobe de 30°C para 85°C em poucos segundos de escrita intensa.

Sem um dissipador ativo (com ventoinha) ou uma placa-mãe com blindagem térmica de alta qualidade, o SSD Gen6 sofre thermal throttling e a velocidade cai drasticamente, chegando a patamares de Gen4. Portanto, a velocidade só é perceptível na prática se o seu projeto de resfriamento for impecável.

6. Eficiência energética e dispositivos móveis

Ao testar versões de baixo consumo para notebooks de alta performance, notei um avanço interessante.

Apesar das velocidades de pico serem maiores, as controladoras Gen6 são mais eficientes ao realizar tarefas curtas. Elas “entram e saem” do estado de alta potência mais rápido do que as Gen5.

Isso significa que, para quem trabalha com bateria, o SSD Gen6 pode ajudar a prolongar a autonomia do sistema em alguns minutos, já que ele termina de processar a fila de dados e volta para o estado de repouso (idle) muito antes.

No laboratório do ZDZ Tech, essa eficiência resultou em uma economia de cerca de 4% no consumo total de energia do sistema em tarefas de produtividade leve.

7. Causa e Consequência no ecossistema de hardware

A adoção do Gen6 força uma mudança em todo o ecossistema. Não basta ter o SSD; você precisa de uma placa-mãe com o chipset atualizado e trilhas de sinal reforçadas para evitar a perda de pacotes.

  1. Causa: Aumento da sensibilidade do sinal devido ao PAM4.
  2. Consequência: Placas-mãe de entrada raramente suportam Gen6 com estabilidade, empurrando o consumidor para modelos Premium.
  3. Causa: Necessidade de corretores de erro (ECC) mais complexos na controladora.
  4. Consequência: Aumento no preço final do componente, tornando o custo por GB do Gen6 significativamente mais alto que o do Gen5.

8. Veredito ZDZ Tech

Após semanas de testes intensos, chego a uma conclusão técnica direta. SSDs NVMe Gen5 vs Gen6: A diferença de velocidade é perceptível na prática? Apenas em cenários muito específicos.

Vale a pena o upgrade para Gen6 se você:

  • Trabalha com arquivos de vídeo RAW em 8K ou 12K.
  • Manipula bases de dados gigantescas localmente.
  • Possui um setup entusiasta e quer o máximo que a tecnologia de 2026 oferece.

O Gen5 ainda é a escolha ideal para quem:

  • Foca principalmente em jogos e tarefas de escritório.
  • Busca o melhor custo-benefício em armazenamento de alta velocidade.
  • Não quer lidar com o ruído extra de ventoinhas dedicadas apenas para o SSD.

O ganho de performance bruta de 100% no papel se traduz em algo próximo de 10% a 15% de melhoria na agilidade real do sistema para a maioria das pessoas.

O futuro do armazenamento e o limite humano

Ao refletirmos sobre o avanço do PCIe 6.0, percebo que estamos atingindo um ponto de retornos decrescentes para o usuário doméstico.

A transição de um HD mecânico para um SSD SATA foi um choque perceptível. A mudança do SATA para o NVMe Gen3 também foi clara.

No entanto, agora que falamos em dezenas de gigabytes por segundo, o limite de percepção humana começa a ser desafiado.

O ecossistema atual de software ainda luta para aproveitar toda essa largura de banda. A maioria dos motores gráficos e sistemas operacionais não foi desenhada para processar dados a 28 GB/s.

Isso significa que, ao escolher a tecnologia Gen6 em 2026, você está comprando uma “avenida de dez faixas” para um tráfego que, no momento, só ocupa duas.

O impacto real desta tecnologia será sentido nos próximos dois anos, conforme a inteligência artificial local comece a exigir trocas constantes de modelos gigantescos entre o armazenamento e a memória RAM (VRAM/DDR6).

No ZDZ Tech, continuaremos a monitorar como as atualizações de firmware podem otimizar essas latências. O hardware sempre corre à frente do software, e o SSD Gen6 é a prova viva de que já vivemos no futuro do armazenamento.

Se você possui um bom drive Gen5, sinta-se seguro: você ainda tem uma máquina formidável. Para os que buscam a fronteira final da performance, preparem o resfriamento, pois o Gen6 não perdoa sistemas mal ventilados.

Convidamos você a conferir nossos guias de instalação de dissipadores térmicos para garantir que seu investimento não se perca no calor do processamento.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

O SSD Gen6 funciona em placas-mãe Gen5?

Sim, ele funciona devido à retrocompatibilidade do padrão PCIe. Entretanto, ao fazer isso, você limita a velocidade da unidade ao teto da geração 5 (aproximadamente 14.000 MB/s). Na prática, você paga por uma performance que não consegue utilizar, o que torna essa combinação pouco eficiente financeiramente.

A diferença de velocidade é perceptível na prática para gamers?

Em 2026, a diferença só é notada em jogos que utilizam o DirectStorage de forma intensiva, reduzindo tempos de carregamento de cenários imensos. Para jogos casuais ou competitivos como e-sports, a diferença entre o Gen5 e o Gen6 é imperceptível, com ganhos de milissegundos que não alteram a jogabilidade.

Preciso de um dissipador especial para o SSD Gen6?

Absolutamente. Devido ao uso da sinalização PAM4 e às controladoras de alta frequência, esses drives geram muito calor. O uso de um dissipador passivo simples muitas vezes não evita a perda de performance. Recomendamos o uso de dissipadores com micro-ventoinhas ou a conexão ao sistema de refrigeração líquida do PC, se disponível.

O SSD Gen6 gasta mais energia que o Gen5?

Em pico de operação, sim, o consumo de Watts é superior. Porém, como ele termina as tarefas de transferência muito mais rápido, o consumo total por tarefa pode ser menor. Em laptops, essa eficiência na conclusão do trabalho permite que o sistema volte ao estado de baixo consumo mais cedo, o que é benéfico para a bateria.

Qual a vida útil (TBW) esperada para os novos SSDs Gen6?

A vida útil segue os padrões de alta durabilidade, com modelos de 2TB apresentando cerca de 1400 a 1800 TBW (Terabytes Written). Apesar da velocidade maior, as novas células NAND flash de 232 camadas são projetadas para suportar o fluxo intenso de dados, mantendo a confiabilidade por muitos anos de uso profissional.

Autores

  • Afonso Macosso - ZDZ Tech

    Afonso Macosso Fundador do ZDZ Tech. Especialista em tecnologia e entusiasta de inovação, dedica-se a analisar o impacto das novas ferramentas digitais na sociedade e nos negócios. Acompanhe as suas análises no zdz.com.br e conecte-se para insights sobre hardware, IA e transformação tecnológica.

  • Marina Bittencourt

    Marina Bittencourt é redatora sênior no ZDZ Tech. Especialista em mobilidade e gadgets, dedica-se a analisar como os novos lançamentos impactam a rotina dos usuários. Com formação em Comunicação e extensão em Tecnologia da Informação, Marina busca o equilíbrio entre performance técnica e usabilidade em cada análise que assina no zdz.com.br.

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