Depois de meses de promessas em conferências e versões beta instáveis, finalmente a inteligência artificial da Apple chegou ao seu estágio de maturidade.
Como Especialista Chefe em Tecnologia do ZDZ Tech, meu compromisso não é com o marketing da marca, mas com o que o hardware entrega na mão de quem paga caro por um iPhone.
Passei as últimas três semanas usando o sistema como meu driver principal, ignorando as funções de palco e focando no fluxo de trabalho real.
Se você espera uma revolução mágica que faz o seu trabalho por você, talvez se decepcione.
Mas, se você busca entender como a IA pode eliminar os atritos invisíveis do seu dia a dia, o cenário muda completamente. Testei os recursos da Apple Intelligence e aqui está o resultado detalhado dessa experiência.
O impacto real nas ferramentas de escrita (Writing Tools)
A primeira grande mudança que notei foi na forma como lidamos com textos. Diferente do ChatGPT, que exige que você abra um app separado e “peça” algo, a Apple integrou as ferramentas de escrita diretamente no sistema operacional.
Ao selecionar um e-mail longo ou um rascunho de relatório no app Notas, a opção “Writing Tools” aparece como uma camada nativa. O que mais me impressionou não foi a capacidade de “reescrever”, mas a de Resumir.
Em um dia de testes, recebi um documento de 15 páginas sobre novas diretrizes de segurança digital. Em vez de ler tudo, usei o recurso de sumário em tópicos.
A precisão foi de cerca de 95%, perdendo apenas nuances de notas de rodapé específicas.
Pontos de destaque na escrita:
- Tom de voz: O modo “Profissional” é excelente para transformar mensagens rápidas de iMessage em e-mails corporativos polidos.
- Revisão Contextual: Ele não apenas corrige a gramática, mas sugere mudanças de estrutura para melhorar a fluidez, algo que o corretor ortográfico comum nunca conseguiu fazer.
A nova Siri: Finalmente, uma assistente pessoal?
Serei honesto: a Siri foi, por anos, o ponto fraco do iPhone. Com a Apple Intelligence, a mudança é estrutural. O novo design com bordas brilhantes é bonito, mas o que importa é o conhecimento contextual.
Durante meus testes, fiz uma pergunta vaga: “Envie aquele PDF sobre as métricas de performance para o João”.
O sistema entendeu que o “PDF” era o arquivo que eu tinha aberto há cinco minutos e que o “João” era o contato com quem eu mais troco e-mails sobre trabalho.
Essa capacidade de cruzar dados entre aplicativos (Cross-app awareness) é o que separa a IA de brinquedo de uma ferramenta de produtividade séria.
No entanto, nem tudo são flores. O processamento on-device (feito no próprio aparelho) às vezes causa um leve atraso de milissegundos que usuários mais exigentes notarão.
É o preço da privacidade, já que seus dados não estão sendo enviados para a nuvem de terceiros para processar essa intenção.
Clean Up no Fotos: O fim dos elementos indesejados
O recurso “Clean Up” é a resposta da Apple ao Magic Eraser do Google. Testei em fotos de eventos de tecnologia com fundos poluídos.
A ferramenta é assustadoramente rápida. Com um toque, você remove pessoas ao fundo ou fios de luz.
O diferencial aqui é o preenchimento generativo. O iPhone reconstrói o que deveria estar atrás do objeto removido usando padrões da própria foto.
Em fotos de paisagens, o resultado é perfeito. Em fotos com texturas complexas, como tapetes com padrões geométricos, ainda é possível notar uma leve distorção se você der um zoom de 200%. Para redes sociais, é imperceptível.
Apple Intelligence vs. Concorrentes (Uso Prático)
| Recurso | Apple Intelligence | Google Gemini (Android) | Experiência ZDZ Tech |
| Privacidade | Processamento Local / Private Cloud | Baseado em Nuvem | Apple vence em segurança de dados |
| Integração | Nativa em todos os apps do sistema | Forte em apps Google | Apple é mais fluida no sistema |
| Escrita | Focada em refinamento e tom | Focada em criação do zero | Gemini é mais “criativo”, Apple é mais “útil” |
| Velocidade | Depende do Hardware (A17 Pro+) | Depende da Conexão | Google é ligeiramente mais rápido |
Memórias de Vídeo: O poder do processamento neural
Um dos recursos mais subestimados que testei foi a criação de filmes de memória via descrição textual. Eu digitei: “Crie um vídeo dos meus gatos com uma música animada”. O sistema escaneou minha biblioteca de 12 mil fotos, identificou os animais, selecionou os melhores clipes (evitando fotos borradas) e montou uma edição com cortes no ritmo da música.
Isso demonstra que a Apple Intelligence entende o conteúdo das suas mídias. Ela sabe a diferença entre um cachorro, um gato e uma pessoa específica, tudo sem indexar essas imagens em um servidor externo.
Notificações Prioritárias e o “Modo Foco” Inteligente
Talvez a mudança mais impactante no meu bem-estar digital durante o teste foi o Reduce Interruptions. Este novo Modo de Foco usa a IA para ler suas notificações e decidir quais são urgentes.
Se minha esposa manda: “O jantar está pronto”, a notificação passa. Se um app de compras manda: “Confira as ofertas de hoje”, ela é silenciada silenciosamente. O sistema lê o conteúdo da mensagem e entende a urgência sem que você precise configurar regras manuais chatas. É o tipo de tecnologia que “simplesmente funciona” e justifica o investimento no ecossistema.
Desafios e Limitações: O que ainda precisa melhorar
Nem tudo é perfeito no reino da Apple Intelligence. Ao testar os recursos, identifiquei gargalos claros:
- Consumo de Bateria: Em dias de uso intenso das ferramentas de escrita e edição de imagem, notei uma queda de cerca de 15% a mais na bateria em comparação com o uso normal. A IA exige muito do motor neural.
- Aquecimento: O iPhone 16 Pro aqueceu consideravelmente durante o processamento de resumos de documentos muito extensos (acima de 50 páginas).
- Dependência de Idioma: No início, muitos recursos brilham apenas em inglês. Para nós, no Brasil, a tradução de contextos culturais ainda está em fase de polimento, embora o português básico funcione muito bem.
Vale a pena atualizar seu hardware pela IA?
Muitos leitores do ZDZ Tech me perguntam se devem trocar o iPhone 14 ou 15 pelo 16 ou Pro por causa desses recursos. A resposta curta é: Depende do seu fluxo de trabalho.
Se você é um profissional que lida com excesso de informação, dezenas de e-mails e precisa de uma organização proativa, a Apple Intelligence vai te economizar pelo menos 30 a 40 minutos por dia. Se você usa o celular apenas para redes sociais e fotos casuais, os recursos são legais, mas não indispensáveis.
A inteligência artificial da Apple não é um “chat” para conversar; é um sistema invisível de produtividade. E essa é a maior força — e talvez a maior fraqueza de marketing — dessa tecnologia.
Você pode gostar:
- 15 Funções Escondidas do iOS 26 que Ninguém Sabe (Guia Pro)
- Análise técnica revela as novidades do iPhone 17 Pro: Guia Completo
- MacBook Pro M5 entrega performance recorde em testes
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quais iPhones são compatíveis com a Apple Intelligence?
A Apple Intelligence exige o chip A17 Pro ou superior. Isso significa que apenas o iPhone 15 Pro, iPhone 15 Pro Max, toda a linha iPhone 16 (iPhone 16, 16 Plus, 16 Pro, 16 Pro Max) e a linha iPhone 17 (e modelos posteriores) são compatíveis.
Meus dados estão seguros com a Apple Intelligence?
Sim. A Apple utiliza o “Private Cloud Compute”. Tarefas simples ocorrem no seu chip, e tarefas complexas vão para servidores próprios da Apple que não armazenam seus dados e são verificáveis por especialistas independentes de segurança.
A Apple Intelligence funciona sem internet?
Sim, muitos recursos como resumos de texto, Clean Up de fotos e automações básicas da Siri funcionam de forma 100% offline, o que é um grande diferencial competitivo.
O recurso de escrita funciona em apps de terceiros como WhatsApp?
Sim. Como as ferramentas de escrita estão integradas ao teclado do sistema, elas funcionam em praticamente qualquer aplicativo onde você possa digitar texto.
A Siri ficou realmente mais inteligente?
Sim, ela agora entende hesitações (se você gaguejar ou mudar de ideia no meio da frase) e mantém o contexto da conversa anterior, algo que era impossível nas versões passadas.